Acho que sei
Sinto que sim.
Pelos círculos da minha imaginação
Danço como se não tivesse freios.
Como se a obsessão que sinto fosse certa.
Sou perversa em meus pensamentos,
Pois o fantasma que me perturba
Ora me prende numa sensação nostálgica
Ora acaricia-me como um lobo faminto.
Toma-me quase que por inteiro.
Porque está muito longe de ser real
Porque é demasiado medroso para dar o bote.
É um lobo-fantasma-inerte.
segunda-feira, 13 de março de 2023
Sei que estou de passagem,
Passageira que seja deixa saudades.
A saudade não é boa ou ruim
É sofrida com clamor
De quem não sabe se vai ou fica.
Não temo à hora e nem a dor.
Nem que seja repentina e traiçoeira.
Que tenha cortes e sangue.
Que seja assustador ou que acabe como poeira.
Que eu sinta, que seja quente.
Que numa tontura eu não me perca para vê-la.
Só temo que seja absoluta.
Que a morte seja de corpo e de alma.
Que tome a saudade,
Não deixando incertezas pra quem fica.
(Ou que acabe a saudade
(Ou que acabe a saudade
Quando ainda o corpo exista.)
Em mim, ausente
O que não dói em mim é que sinto falta,
A vida não vivida.
Torno-me mecânica quando acordo,
Durmo e desejo não acordar.
Esqueço de quem sou,
Meus gostos, desconheço meus gestos.
Só o espelho que não falha.
Vejo-me a cada trago,
Como a fumaça que evapora
Opaca, até ser invisível.
O que não dói em mim é que sinto falta,
A vida não vivida.
Torno-me mecânica quando acordo,
Durmo e desejo não acordar.
Esqueço de quem sou,
Meus gostos, desconheço meus gestos.
No espelho
Desapareço a cada trago,
Como a fumaça que evapora
Opaca, até ser invisível.
sexta-feira, 3 de março de 2023
Chuva
Ó lágrima ruidosa
Vem a mim e completa
Minha monotonia cega.
Teu cheiro sufoca-me
És suave e carregada.
Caia fria.
Toque os harmoniosos
Calafrios de tua sinfonia.
Chuva límpida e transparente.
Arriscaria meu corpo a ti
Banhar-me-ia de teu cheiro
Pois te quero em mim,
Para assim
Minhas lágrimas
Ocultarem-se por entre
Suas deixas.
Vem a mim e completa
Minha monotonia cega.
Teu cheiro sufoca-me
És suave e carregada.
Caia fria.
Toque os harmoniosos
Calafrios de tua sinfonia.
Chuva límpida e transparente.
Arriscaria meu corpo a ti
Banhar-me-ia de teu cheiro
Pois te quero em mim,
Para assim
Minhas lágrimas
Ocultarem-se por entre
Suas deixas.
Final
Fora a centésima vez que tive vontade de findar-me
Não entendia mais tantos valores
A anima me falhava nas canções mais tempestuosas
Tinha-me como um instrumento inútil
A mim mesma desafinado.
Não me caía da boca mais uma palavra esperta
Quão áspera fora a textura de minha deixa
Insana e gloriosa
Que passa por mim talentosa e disciplinada
Vieste a calhar cara amiga!
A pouco pensava em ti.
Quão amargo o gosto que deixaste.
Pois quero que saibas apenas de um caso
Foste e Serás sempre minha amiga,
Não me abandones por muito
Embora tenhas teu dom em mim
Tua harmonia que seja, doce enfim
Eu te detesto e amo!
Tu talvez, sejas o imediato
Segredo de minha vida.
Não entendia mais tantos valores
A anima me falhava nas canções mais tempestuosas
Tinha-me como um instrumento inútil
A mim mesma desafinado.
Não me caía da boca mais uma palavra esperta
Quão áspera fora a textura de minha deixa
Insana e gloriosa
Que passa por mim talentosa e disciplinada
Vieste a calhar cara amiga!
A pouco pensava em ti.
Quão amargo o gosto que deixaste.
Pois quero que saibas apenas de um caso
Foste e Serás sempre minha amiga,
Não me abandones por muito
Embora tenhas teu dom em mim
Tua harmonia que seja, doce enfim
Eu te detesto e amo!
Tu talvez, sejas o imediato
Segredo de minha vida.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Parler
A entrada no mundo social por meio da linguagem reprime as
armadilhas do imaginário e salva o sujeito do caminho da psicose. A linguagem passa a ser a organização central dos processos psíquicos
e, neste sentido, compreende o inconsciente como linguagem.
(González Rey, Fernando Luis. 2003, pg 37)
Falar me faz social
Faz-me ser eu.
Distante do imaginário
E dessas armadilhas psíquicas.
Falar, para ser mais real
E ser humano.
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