segunda-feira, 13 de março de 2023

Em mim, ausente

O que não dói em mim é que sinto falta,
A vida não vivida.
Torno-me mecânica quando acordo,
Durmo e desejo não acordar.
Esqueço de quem sou,
Meus gostos, desconheço meus gestos.

Só o espelho que não falha.
Vejo-me a cada trago,
Como a fumaça que evapora
Opaca, até ser invisível.

O que não dói em mim é que sinto falta,
A vida não vivida.
Torno-me mecânica quando acordo,
Durmo e desejo não acordar.
Esqueço de quem sou,
Meus gostos, desconheço meus gestos.

No espelho
Desapareço a cada trago,
Como a fumaça que evapora
Opaca, até ser invisível.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Chuva

Ó lágrima ruidosa
Vem a mim e completa
Minha monotonia cega.
Teu cheiro sufoca-me
És suave e carregada.
Caia fria.
Toque os harmoniosos
Calafrios de tua sinfonia.
Chuva límpida e transparente.
Arriscaria meu corpo a ti
Banhar-me-ia de teu cheiro
Pois te quero em mim,
Para assim
Minhas lágrimas
Ocultarem-se por entre
Suas deixas.

Final

Fora a centésima vez que tive vontade de findar-me
Não entendia mais tantos valores
A anima me falhava nas canções mais tempestuosas
Tinha-me como um instrumento inútil
A mim mesma desafinado.
Não me caía da boca mais uma palavra esperta
Quão áspera fora a textura de minha deixa
Insana e gloriosa
Que passa por mim talentosa e disciplinada
Vieste a calhar cara amiga!
A pouco pensava em ti.
Quão amargo o gosto que deixaste.
Pois quero que saibas apenas de um caso
Foste e Serás sempre minha amiga,
Não me abandones por muito
Embora tenhas teu dom em mim
Tua harmonia que seja, doce enfim
Eu te detesto e amo!
Tu talvez, sejas o imediato
Segredo de minha vida.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Parler


A entrada no mundo social por meio da linguagem reprime as armadilhas do imaginário e salva o sujeito do caminho da psicose.  A linguagem passa a ser  a organização central dos processos psíquicos e, neste sentido, compreende o inconsciente como linguagem. 
(González Rey, Fernando Luis. 2003, pg  37)

Falar me faz social
Faz-me ser eu.
Distante do imaginário
E dessas armadilhas psíquicas.
Falar, para ser mais real
E ser humano.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Non Sentido

Não vejo sentido
Naquilo que faço.

Só o que não faço tem sentido.

Porque quando faço aquilo que não faço
Fazer perde todo o sentido.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Meu EU masculino, meu TU poeta...

Ainda sou poeta.
Sem ressalvas.
Ainda sinto o cheiro das palavras secas
Tenho sonhos sujos e acordo confuso.
Apesar de tanta demora
Ainda sou poeta.
E vejo mensagens subliminares
Por todo canto.